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Modelos, agentes, infraestrutura e impactos da inteligência artificial
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DeepSeek-V3 atinge 90.2% no MMLU com 671B parâmetros MoE, custando US$ 5.6 milhões em treinamento — 1/40 do GPT-4. Arquitetura chinesa prova que embargo de chips força eficiência radical.
Passei os últimos anos ensinando IA a gestores. Advogados, diretores, donos de negócio. E toda vez a pessoa paralisava como se fosse disciplina de outro planeta. Não é. O corpo ao redor da IA — memória, procedimento, protocolo, sandbox, auditoria — é o que gestão clássica sempre chamou por outros nomes: processo, política, SOP, alçada, governança. Quem já sabe operar sabe construir agente. Quem está construindo agente está aprendendo gestão sem perceber.
Em 7 e 9 de março, Andrej Karpathy publicou no X o resultado de um experimento desconcertante: deixou um agente de IA iterando sobre o código de treinamento do seu nanochat por dois dias. O agente encontrou 20 mudanças que melhoraram a perda de validação no modelo pequeno — e todas elas se mantiveram quando aplicadas a um modelo maior. Tradução didática do que isto significa para quem programa em 2026.
Em fevereiro de 2025, Karpathy popularizou o termo 'vibe coding' — programar largando o controle, abraçando a exponencial e esquecendo que o código existe. Em 2026, ele declarou o termo ultrapassado. O nome novo que defende é 'agentic engineering': não é programar 99% das vezes, é orquestrar agentes com supervisão, arte e expertise. Tradução do que mudou na cabeça dele — e do que isso significa para o programador brasileiro.
Em entrevistas e tweets recentes, Andrej Karpathy repete uma metáfora que vale a pena tomar a sério. Diz que reinforcement learning, a família de técnicas que treina os agentes mais avançados de hoje, é como sugar a supervisão por um canudo. A trajetória inteira recebe um sinal final magro, único bit de recompensa, e esse sinal é propagado de volta a todos os passos. Funciona. Mas é, na palavra dele, ineficiente. Tradução do que essa frase significa para quem trabalha com IA agora.
No Parque Tecnológico BIOTIC, em Granja do Torto, um galpão de 14 mil metros quadrados começou a operar com 4.200 GPUs e refrigeração a água gelada. A meta é processar quase um terço de toda a inferência de IA contratada pelo governo federal até 2028.
O clube candango investiu R$180 mil em sistema de análise de desempenho com IA e já colhe resultados: 67% de aproveitamento na Série C e a melhor defesa da competição. O futebol do DF tenta se reinventar pela tecnologia.
DF opera 3.200 câmeras com IA e reconhecimento de placas. Roubo de veículos caiu 34%. Carros são recuperados em menos de 4 horas. O sistema mais avançado do Brasil.
A mostra 'Máquinas que Sonham' reúne 120 obras de 34 artistas que usam inteligência artificial como ferramenta criativa. A curadoria separa arte de commodity — e o público está respondendo com filas de 3 horas.
Atendimento, secretariado, tradução, redação básica e contabilidade perderam 340 mil postos desde o ChatGPT. O DF, com 38% dos empregos em alta exposição, é o mais vulnerável.
Levantamento do IPEA mostra que a automação por IA generativa destruiu mais postos do que criou no Brasil, mas os novos empregos pagam em média 40% mais. O saldo líquido esconde uma revolução silenciosa no mercado de trabalho.
A poucos quilômetros dos ministérios, uma startup do Capital Digital prevê enchentes com IA e sensores. O CEMADEN cobre só 957 dos 5.500 municípios. A burocracia impede a adoção.